No dique
está sentada e silenciosa.
Olho-a,
declinando na insistência
o impulso racional
de meu sopro de juízo.
Observo-a na praia deserta
com suas luzes quebradas,
desde a neblina espessa
que envolve meu horizonte.
Desde as gerações de lobos,
que uivam incessantes
proprietários das estepes.
Talvez morram suas íris de mel
ao chegar a madrugada,
talvez ressuscite
em uma brisa suave com aroma de erva.
Ninguém vê como chora em sua pálida tristeza
Ninguém a olha além das sete da tarde.
Ela não sabe que é domingo.
Nunca soube
de alvoradas nem de sombras.
O tempo faleceu
em seu rosto sem relógios,
e discrepa em suas auroras
uma abóbada de outono.
Viaja silenciosa
em um enigma de rituais.
Descola de um parêntese
um verbo nazareno
Balança-se no ângulo cinzento
de seu muro de existência.
E é um quartzo fissurado
esta alma que pendura
distante do meu peito
com sua perna atemporal
sobre as águas do rio.-
Walter Faila
Argentina
Tradução: Maria Lua