quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

ALMA MINHA





No dique
está sentada e silenciosa.
Olho-a,
declinando na insistência
o impulso racional
de meu sopro de juízo.
Observo-a na praia deserta
com suas luzes quebradas,
desde a neblina espessa
que envolve meu horizonte.
Desde as gerações de lobos,
que uivam incessantes
proprietários das estepes.
Talvez morram suas íris de mel
ao chegar a madrugada,
talvez ressuscite
em uma brisa suave com aroma de erva.

Ninguém vê como chora em sua pálida tristeza
Ninguém a olha além das sete da tarde.

Ela não sabe que é domingo.
Nunca soube
de alvoradas nem de sombras.
O tempo faleceu
em seu rosto sem relógios,
e discrepa em suas auroras
uma abóbada de outono.
Viaja silenciosa
em um enigma de rituais.
Descola de um parêntese
um verbo nazareno
Balança-se no ângulo cinzento
de seu muro de existência.
E é um quartzo fissurado
esta alma que pendura
distante do meu peito
com sua perna atemporal
sobre as águas do rio.-


Walter Faila
Argentina
Tradução: Maria Lua

4 comentários:

Maria Lua disse...

Um poema que chega ao mais profundo
de minha alma, junto com REVESTIDA DE MUSGOS...
Parabéns pelo blog, pelos poemas, pelas belas fotos desta linda Nova Friburgo...
Beijos com carinho, querido amigo
Walter
Maria Lua

Walter Faila disse...

muito obrigado meu bom amiga Maria. beijinhos para vocé.-

FANNY JEM WONG disse...

E é um quartzo fissurado
esta alma que pendura
distante do meu peito
com sua perna atemporal
sobre as águas do rio.-

LLEGARÁS MÁS ALLÁ DE LO QUE IMAGINAS ... VUELA ...VUELA POETA

Walter Faila disse...

Gracias Fanny, un beso amiga