quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Recordações de domingo




Uma junta de paralelepípedos se dilata no beco,
sob o Sol implacável de Santiago.
Declinam dois gestos na borda de teus supercílios
buscando explicações
no silêncio irascível de meu crânio.

Não há máculas que apaguem teus sudários
Nem brasas que consumam meu nono cigarro.
Os loureiros já ficaram amarelos
e os choupos adormeceram sob a insônia do orvalho .

Estou dizendo que não voltam os leitos dos rios
a beijar os pés de sua mãe nas montanhas.
Que o vento não retorna depois que já se foi
nem os remos empurram duas vezes a mesma água.

Que não há aço que suportem as forjas
nem flores que perdurem com alento de broto.
Que remendando inventários nas folhas do outono
fiquei remexendo as roupas da infância.

Estou dizendo que hoje sinto a tua falta mais do que nunca
que é domingo de orfandade e de nostalgia.
Que arrumo cristaleiras na tranqüilidade das horas
e não há espaço que não tenha teu olhar.

Que sei muito bem que já te foste
Que a vida devoraste no jantar dos tempos.
Que não retornam as pétalas perdidas
nem voltam os rosais a crescer no inverno

Estou dizendo que sou um cão ferido
ladrando a uma mancha grosseira de teus luzeiros.-

Walter Faila

2 comentários:

FANNY JEM WONG disse...

SIEMPRE VIVIRÁS POETA
BESOTES
JEM WONG

Maria Lua disse...

Estou dizendo que hoje sinto a tua falta mais do que nunca
que é domingo de orfandade e de nostalgia.
Que arrumo cristaleiras na tranqüilidade das horas
e não há espaço que não tenha teu olhar.

Gosto muito desse poema!
Versos com sentimento e beleza...
Um beijo, querido amigo
Walter
Maria Lua