
O dia seguinte é um pássaro sem asas
Um monte desnudo com a pele fria
Uma borboleta calcinada no cérebro
Um cachorro mudo tragando saliva
É a impotência submetida à prova
É prova de submissão ante o incerto
É saber que nada somos na vida
além do que a vida queira.
O dia seguinte arde nos ossos
é uma pira interminável na cabeça.
Um pai arrependido ante seus filhos
um filho ajoelhado ante o sangue.
O dia seguinte é um complexo labirinto
com pegadas de escombros vermelhos
nas artérias geométricas do mundo.
É um sinal de interrogação e absoluto
onde a lágrima é um trejeito rebelde
que corre como fios de uma ferida
pelos poros desgarrados do instinto
pelos ocos leiloados das almas.-
Walter Faila
Traduçâo: Maria Lua
6 comentários:
O dia seguinte é um pássaro sem asas
É saber que nada somos na vida
além do que a vida queira.
Belo e triste poema!
Mravilhosa a imagen do pássaro
sem asas...
Um beijo, querido amigo Walter,
com muito carinho
Maria Lua
Precioso poema, Walter, y preciosa traducción, María. Un abrazo.
Obrigado Maria Lua, un beijinho amiga
Gracias Pedro por tu visita y comentario, abrazos para ti.-
Caro Walter, obrigado pelo poema. Caminhei por ele devagar, saboreando as metáforas, amanhecendo também nestes dias seguintes. Um abraço do amigo Sérgio Bernardo
valeu, um abraço Sérgio
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